Como reconhecer os sintomas físicos da ansiedade

Por Sheila Cruz

É comum pensarmos na ansiedade apenas como um estado mental uma mente acelerada, preocupações excessivas e um foco constante no futuro. No entanto, o nosso corpo e a nossa mente estão profundamente conectados. Quando a sobrecarga emocional atinge um limite, o corpo começa a enviar sinais claros de que o sistema de alerta está trabalhando de forma disfuncional.

Muitos adultos chegam ao consultório acreditando ter um problema puramente físico, quando, na verdade, estão vivenciando as manifestações somáticas da ansiedade.

Como o corpo responde ao estresse contínuo? Diante de uma situação de perigo, nosso cérebro ativa a resposta de “luta ou fuga”, liberando hormônios como cortisol e adrenalina. O problema ocorre quando as pressões do dia a dia (prazos no trabalho, conflitos familiares, autocobrança) mantêm esse alarme ligado constantemente.

Os sinais físicos mais comuns incluem:

  • Insônia ou sono não reparador: A dificuldade de desligar os pensamentos ao deitar ou o despertar constante durante a noite.
  • Tensão muscular e dores crônicas: Rigidez, especialmente na região do pescoço, ombros e mandíbula (bruxismo).
  • Alterações cardiovasculares e respiratórias: Sensação de falta de ar, aperto no peito e palpitações ou taquicardia.
  • Sintomas gastrointestinais: Desconfortos estomacais frequentes ou alterações no apetite.
  • Inquietação motora: Tremores nas mãos, agitação nas pernas e incapacidade de permanecer relaxado.

O papel da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) A abordagem cognitivo-comportamental é amplamente baseada em evidências para o tratamento da ansiedade. O trabalho terapêutico não foca em suprimir esses sintomas à força, mas em compreender a raiz deles.

Na prática clínica, mapeamos os pensamentos automáticos que geram a percepção de ameaça e utilizamos técnicas de psicoeducação e manejo de ansiedade. O objetivo é ajudar o paciente a reestruturar sua forma de interpretar os desafios, devolvendo ao corpo o seu estado natural de equilíbrio e regulação.

Conclusão Ignorar os sinais físicos da ansiedade é como ignorar a luz de alerta no painel de um carro. Não é necessário esperar que o sofrimento se torne incapacitante para buscar ajuda profissional.

Se você tem percebido que o peso da rotina está afetando a sua saúde física, a psicoterapia oferece um espaço seguro e estruturado para o tratamento.